ENTREVISTA DE CESAR MAIA PARA O GLOBO, 25/09 – PARTE II! • O que tem achado da estratégia de Ciro Gomes de bater tanto em Lula quanto em Bolsonaro? É uma escolha apressada imaginando que o desgaste de Lula em função do Lava-jato abriria um vetor para ele. Acho uma estratégia equivocada. • Foi essa, aliás, a estratégia do MBL nas manifestações do dia 12 de setembro, que levou um público muito baixo para as ruas. Está errado ser contra Lula e Bolsonaro ao mesmo tempo? Certamente errado. Mas se deve ir bem além do anti-Bolsonaro. A crise brasileira múltipla exige a escolha de uns três ou quatro temas propositivos. Emprego entre eles. O desemprego entre os jovens está em 30%. • Não acha que a economia melhora um pouco ano que vem e ajuda a melhorar a popularidade de Bolsonaro? É claro que não. Dois exemplos: o minério de ferro caiu 47% de julho para cá e o agronegócio ficará sem parceiro “primário”. E mesmo que façam um novo bolsa-família turbinado, programas de transferência de renda precisam estar lastreados em confiança e esperança. As respostas relativas a estes dois vetores nas pesquisas recentes de DataFolha e Ipec mostram que estamos longe disso. • O senhor descarta o impeachment? Sim, pela estrutura de comando e minoria na Câmara. A proximidade das eleições não ajudará a formar maioria de dois terços. Ele ainda se mantém com mais de 20% de avaliação de ótimo e bom devido a força do seu cargo. Mas, quando vier a aproximação da perda da Presidência, esse quadro muda. • Não teme que cenas como a tentativa de invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, se repitam em 2022 no Brasil? A situação política é muito diferente. Donald Trump contava com pouco menos da metade dos eleitores. Bolsonaro hoje conta com um quinto da população. • Como analisa a disputa pelo governo de São Paulo? Só quando Rodrigo Garcia for percebido como governador é que se conhecerá o quadro eleitoral efetivo. • Acredita em uma candidatura Geraldo Alckmin forte? Em geral o governador de São Paulo conta com forte apoio no Interior. Alckmin fora do governo terá uma tarefa árdua para compensar a região metropolitana. • Guilherme Boulos ou Fernando Haddad, quem é o nome mais competitivo para a esquerda? Tende a ser o Haddad colado no Lula e amaciando o discurso para a classe média e o empresariado. • Como analisa a disputa para o governo do Rio? Uma eleição no Rio sempre tem um quadro múltiplo. Acho muito pouco ainda apenas os três nomes colocados até agora (Cláudio Castro, Marcelo Freixo e Rodrigo Neves). Imagino que Freixo vá até o fim e fará uma campanha olhando a candidatura a prefeito dois anos depois. Castro fez uma montagem multipartidária. Há um risco grande dessas alianças se desintegrarem se as pesquisas apontarem para um quadro adverso. • Acredita em fatos novos como a candidatura do vice-presidente Hamilton Mourão ou do prefeito Eduardo Paes? Mais provável que Mourão termine como candidato a deputado federal evitando riscos maiores. E Se Paes estivesse pensando nisso teria escolhido um vice próximo e com lastro. Em 2024 fará isso e irá para governador depois. • O senhor pode se aventurar a ser candidato a algo em 2022? Estou feliz como vereador com três mandatos. |